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Papo de Brasileiro Nº 43 - 24.02.2008

Aos 44 Do Segundo

 

Como se não bastasse o domingo na tv, as 10 mais do rádio e os dvd´s de lanchonete, aquelas bandas eletrônicas nada tradicionais agora invadem a internet. Cético que sou, decidi navegar na grande rede em busca de sites especializados em bandas independentes. O que vi foi uma enxurrada de forrós eletrônicos, baiões massacrados por guitarras mal tocadas, baterias atravessadas e sanfonas sem nenhuma função.

 

Esses argumentos trancaram-me em grilhões e pareciam colocar ponto final em minha busca. Fiquei desolado e até desliguei o computador. Era como perder o jogo aos 44 do segundo.

 

Sem desanimar nem descansar, ainda surrado e olhos mareados, saí em busca do que poderia ser a redenção.  Atento às palavras do sábio google descobri depois de muitos rocks, bossas e canções de qualidade, que a cena independente brasileira e, principalmente, a sergipana tem muito o que mostrar. Precisa apenas de palco, incentivo e público.

 

(André Gusmão)

 

Papo de Brasileiro:

 

Rosângela Rocha – Coordenadora do Curta-Se (Festival Ibero Americano de Curtas Metragens de Sergipe). Surgido em 2001 como um pequeno festival para universitários, o Curta-Se cresceu, ganhou patrocinadores, parcerias e se tornou grande.

 

Michele Borges – Ela nasceu em Santos (São Paulo), mas foi criada em Própria (Sergipe). Desde cedo descobriu as cordas do violão e não parou mais.



Escrito por Papo de Brasileiro às 00h32
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Papo de Brasileiro Nº 42 - 27.01.2008

O Dom E A Matemática

 

Quando olho do meu quarto para o meu horizonte de concreto e janelas gradeadas sinto falta da liberdade e das cadeiras nas calçadas dos tranqüilos fins de tarde. Abraçado ao meu violão, dedilho acordes sem sentido, à espera de uma melodia que venha a surgir, ávida por uma poesia que se encaixe em seus contratempos e ritornelos. Alguns mis e fás depois me sento de volta ao computador sem ter conseguido compor uma única estrofe. Era a tal da inspiração que me deixara sozinho outra vez.

 

Desconfiado e maltratado pelos deuses da inspiração, chego a pensar que dons não existem e que a matemática é senhora soberana das artes. Irritado, me pergunto como alguns conseguem criar tantas maravilhas... Poesias, canções, desenhos, esculturas. Ah, uns com tanto...!!! Esse negócio de inspiração não existe mesmo! E levanto-me desconsolado para sentar na minha poltrona preferida.

 

Coloco uma música de Chico, leio umas poesias de Pessoa, folheio inteligentes revistas esquerdistas e admiro os olhos sorridentes do meu amor. Num momento, sem perceber, tenho em minhas mãos uma caneta, um título, alguns versos, e escrevo uma nova poesia. Percebo, inocentemente, que Deus nos dá presentes especiais, habilidades especiais, e inspiração imersos em nosso coração. Basta que saibamos trazê-los à tona.

 

(André Gusmão)

 

Papo de Brasileiro:

 

Mércia Bomfim – Ela é neta de uma artista plástica, começou a desenhar bem cedo, admira pinturas, mas seu negócio mesmo é desenhar. No dia 18 de janeiro de 2008 conquistou o 1º lugar no 17º Salão dos Novos Artistas.

 

Gladston Rosa – Ele é sergipano, cantor e compositor, defensor da sergipanidade e dono de uma musicalidade diversificada.



Escrito por Papo de Brasileiro às 01h23
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Papo de Brasileiro Nº 41 - 20.01.2008

Nessa Vida Cada Vez Mais Digital

 

Tenho às vezes me perguntado acerca dos dias que virão.  Tenho me encontrado em dúvidas vis e oportunas, perguntando-me o que virá depois de amanhã. Às vezes, aliás, muitas das vezes, fico sem resposta. Afinal, em qual muro de lamentações podemos nos escorar para pensar na absurda invasão urbana ao nosso mundo?

 

Nossas vidas, cada vez mais digitalizadas pelo capitalismo, enfrentam a cada dia os rompantes invasores tecnológicos, e é constante não conseguir acompanhar a velocidade dessa evolução. Talvez, lá de cima, ou até mesmo já de volta aqui por baixo, Darwin se pergunte se era essa a evolução da qual ele se referia.

 

Somos tragados pela Globo-lização e pelos canais de venda que invadem a nossa parabólica. Pobre parabólica! Antes, refúgio dos que tinham menos dinheiro pra pagar as absurdas mensalidades da tv a cabo, agora virou vitrine digital. Aliás, a digitalização da vida, a urbanização do cotidiano e as veredas asfaltadas são a cada dia mais reais.

 

Nessa vida cada vez mais digital, continuo aqui, no mesmo lugar, usufruindo sim, da virtualidade e da digitalização, mas nunca desistindo de viver a vida real.

 

(André Gusmão)

 

Papo de Brasileiro:

 

Cláudio Barreto – Cantor, compositor, cidadão ilustre da Barra dos Coqueiros e participante ativo de festivais do nosso Estado. Venceu o primeiro Prêmio Banese de Música e é um dos grandes nomes da nossa música.



Escrito por Papo de Brasileiro às 22h51
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Papo de Brasileiro Nº 40 - 13.01.2008

Das Estradas Que Passei

 

O canto que ressona em meus ouvidos ainda é o assovio do vento seco e quente das estradas daquele sertão por onde passei. Vi em poucos dias os caminhos mais estreitos e impossíveis de se imaginar. Mas ao mesmo tempo, vi a fé e a força do brasileiro superarem qualquer tipo de tempo. Qualquer tempo de qualquer tipo.

 

O que vi, senti e ouvi me conduziram a condição de espectador privilegiado. Pois, apesar de estar apenas de passagem, pude enxergar de onde surgem os calos nos pés de quem trabalha dia a dia, sol a sol, sob o calor e a responsabilidade de sobreviver.

 

Nas estradas que passei vi os caminhantes indo e voltando, rezando e esperando. Vi as pegadas rasas, num chão seco e árido, que o vento logo se encarregava de apagar. Além disso, vi a fé nas igrejas que eles mesmos constróem.  Senti o chão enlameado pela pouca água dos açudes. Caminhei carregando nas costas um paradoxo eletrônico em busca de uma simples conexão com o resto do mundo. Ouvi toadas roucas e canções tranquilas.

 

Naquele simples mundo, pude acreditar mais uma vez que ainda existe amor nos corações dos que se dizem humanos.

 

(André Gusmão)

 

Papo de Brasileiro:

 

Filippe Araújo – Ele quer provar que o Estado de Sergipe tem mais a mostrar em termos de musicalidade e produção áudio-visual. Para isso, está desenvolvendo o projeto DVD Musicalidade Sergipana.

 

Rubens Lisboa - Sergipano de Aracaju, começou a compor em 1984. Autor de diversos textos poéticos e outros tantos para teatro, já participou de muitos festivais dentro e fora do Estado, ficando sempre entre os finalistas. Em 1986, estreou como intérprete com o show “dez-colagem”. Cantou na noite, participou de vários projetos culturais, até que, em 1996, venceu a etapa sergipana do Canta Nordeste, além do 4º lugar geral. Em 1997, ao lado de Neu Fontes, criou a trilha para a “Ópera do Milho”. Formado em Direito e Engenharia Química, possui parcerias com diversos compositores sergipanos. Segundo seus amigos, é honesto e verdadeiro, além de ser um dos maiores talentos da música sergipana. Um cara que tem música em seu coração. Lançou recentemente o seu mais novo cd, “Todas as Tribos” e foi um dos protagonistas da noite de prêmios do projeto Prata da Casa.

 

Marcus Vinícius – Guitarrista e arranjador sergipano.



Escrito por Papo de Brasileiro às 22h21
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